Foi montado um palco em frente ao nosso hotel para um show de música. Tudo devidamente patrocinado pela Vodacom, operadora estatal de telefonia celular. Não sei se já falei sobre isso. Mas aqui existem duas operadoras. A segunda é a MCel.
Acho uma sacanagem o que elas fazem. Chegam em bairros pobres, de preferência aqueles que ficam próximos da estrada, e se oferecem para pintar as casas com a cor e o logotipo da empresa. Fica uma coisa muita bizarra! Pena que não tenho uma foto para postar...
Pois então, nesse dia descobri que os eventos moçambicanos são iguais aos brasileiros. Nunca começam na hora marcada. Já o povo não. Às 17h, em ponto, a multidão já estava a postos. Achei estranho marcarem o inicio do evento para esse horário. Afinal, a essa hora o sol ainda estava a pino e o calor infernal. Mas...
Geralmente, estou acostumada a ver a população usando roupas mais antigas, nem sempre tão limpas. Mas nesse dia... As pessoas estavam usando “trajes de gala”. Roupas muito bem passadas, limpíssimas! Me senti em dia de festa no interior de Minas, só que sem as famosas barraquinhas... Quem já participou sabe exatamente o que estou dizendo.

Mas, conforme previsto, o show só foi começar tarde da noite. Quando o vento começou a soprar. Isso pra alivio dos cantores e infelicidade do público, que a essa hora já estava suado e cansado.
Resolvemos não participar da festança popular... Mas também não dava pra ficar em casa, pois o palco estava a dois metros da nossa janela. Saímos para jantar rezando pra que na volta, a nossa querida Tete já tivesse se retornado para sua tranqüilidade e paz habitual. Senão, adeus noite de sono...
Era meia noite quando voltamos. A multidão já estava se dispersando, quando vimos alguns adolescentes correndo em nossa direção. Ficamos paralisados. Nós, os aliens, não estávamos entendendo nada. Até que um local diz: Polícia de choque!!! De repente aparece um policial com um mega fuzil na mão segurando um menino pelo pescoço. Ai que eu não entendi nada mesmo!!!! Não acredito que o garoto tenha feito algo de muito grave para merecer tamanha confusão. Pois, pelo que já vi dos adolescentes daqui, eles não têm aquele espírito rebelde e, muitas vezes destruidor, dos teenagers brasileiros... Desconfio mesmo é que a política seja tolerância zero... Mas, bom saber, né?!!! Eu e minha curiosidade típica estávamos nos coçando pra ir lá perguntar o que estava acontecendo, porque toda aquela confusão, etc... Mas, como tenho o bom senso do meu lado também... Preferi não me arriscar.
No dia seguinte, não descobrimos nada sobre o garoto (tô me coçando até agora), mas ficamos sabendo que a propaganda eleitoral já estava liberada... (Será que aquele show foi apenas uma cortesia?!!! Política é igual em todo lugar do mundo...) Como já contei em outro post, as eleições acontecem no final do mês de outubro.

Assim que saímos na rua percebemos a movimentação. Carreatas, cartazes nos muros, manifestações populares, bandeiras nos carros e a velha e boa camiseta sendo usada pela maioria das pessoas. Todo mundo empolgadíssimo com toda aquela agitação. E, geralmente, domingo é um dia morto por aqui...A primeira vista parece muito com o que temos no Brasil. Mas, a forma como as pessoas encaram as eleições (principalmente porque vivenciaram uma guerra civil), a forma de se manifestarem em prol ou contra um candidato é muito peculiar. Infelizmente não poderemos acompanhar esse belo processo “democrático”. Daria um belo estudo de caso...
