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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ops!!!

Como estávamos com excesso de bagagem, resolvemos enviar uma mala com 25 kilos para o Brasil. Colocamos dentro dela apenas roupas velhas, alguns livros, DVDs e TODAS as capulanas.

Segundo o cara da empresa australiana, é comum enviar esse tipo de coisa para outros países, sem problema algum. Você só precisa fazer uma lista com os seus pertences e colocar preço em cada um.

Ficamos preocupados com a alfândega brasileira, mas como não tinha nada de valor lá dentro e  tínhamos feita a lista, ingenuamente, achamos que estava tudo ok.

Não é que eu recebo hoje um email da empresa dizendo que nossa mala está presa na alfândega do Brasil e para liberá-la eles querem um email da nossa embaixada na Austrália autorizando o envio da mercadoria... Ainda não conseguimos falar com TNT no Brasil pra entender direito a situação, mas até imagino o trabalho que isso vai dar...

Resultado: se tiver burocracia demais pra resolver esse problema, vamos largar a mala lá. E... todo mundo vai ficar sem capulana...

Então, torçam!!!! 

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Quase uma africana

Bom, como todas as capulanas compradas já estão na mala, prontas para embarcarem pra Austrália, vou tentar atender, parcialmente, aos pedidos, publicando uma outra foto.

Não resisti a tentação de experimentar essa blusa encomendada por uma moçambicana. Ela foi feita a partir de uma capulana. Apesar de não me apetecer muito, esse tipo de vestimenta é super tradicional aqui.
Quando voltar, vou encomendar uma também. Com outro design, claro.



domingo, 20 de setembro de 2009

Capulanas

Ser mulher aqui em Tete não é fácil. Não digo por mim. Mas sim pelas moçambicanas... Imagino que eu não sobreviveria uma semana nessa rotina de trabalho pesado. Resumindo: são elas que fazem tudo! Cuidam das machambas, da casa, dos filhos, cozinham e carregam o mundo em cima de suas cabeças. Não sei como conseguem... Só não as vi levando cabrito na cabeça - essa parte fica pros homens, que o levam nas bicicletas, amarrado nas costas ou então no braço mesmo.

Os homens são um capítulo a parte. Ou têm um trabalho ou não fazem nada. E ainda colocam a mulher para andar atrás deles carregando menino, papagaio, lenha, carvão... Cultura, né?!! Fazer o quê?!!

E elas estão sempre em suas capulanas, que são panos super coloridos que servem para várias coisas: usar como saia, amarrar como lenço na cabeça, cobrir defunto, carregar doentes, transportar crianças, etc.

Me disseram que não há presente melhor para uma mulher daqui do que ganhar uma capulana. Todas têm uma história – foi dada por um pretendente, pelo marido, pelo genro quando quis namorar a sua filha, enfim... E são passadas de mãe pra filhas, como herança.

Algumas estampas também possuem significado especial. Tem umas que são usadas apenas por mulheres mais velhas, outras apenas em cerimônias, etc.

Esse final de semana comprei um mundo de capulanas. Confesso que fiquei um pouco decepcionada. O pano vem engomado e sem acabamento. Mas lá me ensinaram que basta lavar com um pouco de sal (já que desbota um pouco na primeira lavagem) que o tecido fica solto. Depois é só fazer bainha, caso queira usar como uma canga ou então soltar a criatividade. Dá pra enfeitar o sofá, emoldurar, fazer capas para almofadas, entre milhões de outras coisas.

Enfim, tem muita gente que já pode colocar a cabeça pra funcionar, pois as capulanas chegam ao Brasil no final do ano!!!